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Redação Teknosfera
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A perda de US$ 500 bilhões da Alphabet é um veredito sobre gastos com IA, não um caso isolado

O pior dia da Alphabet e o tropeço da Amazon mostram que os investidores deixaram de pagar por promessas de IA. Agora os gigantes precisam provar retorno, e nem todos conseguirão.

Publicado
30 de outubro de 2026
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Imagem gerada por IA

O que é preciso para uma empresa de um trilhão de dólares perder cerca de meio trilhão em um único pregão? Não uma catástrofe. Apenas um trimestre em que a conta da IA cresceu mais rápido do que a prova de que alguém está pagando por ela.

Foi isso que aconteceu com a Alphabet. Suas ações caíram cerca de 13% na quinta-feira, o pior dia da história do papel e, segundo o The National, a segunda maior perda de valor de mercado em um único dia para uma ação americana, atrás da Nvidia em janeiro de 2025. Os números do valor perdido variam conforme o veículo, de cerca de US$ 460 bilhões a US$ 500 bilhões, então tratamos o valor exato como aproximado. O gatilho foi um crescimento de 12% na receita de buscas, quase três pontos abaixo das projeções, junto com uma queda forte no fluxo de caixa livre.

Depois a Amazon aumentou a pressão. Como informa o The Hindu BusinessLine, a empresa gastou mais de US$ 77 bilhões em imóveis e equipamentos no trimestre, registrou crescimento de apenas 2% nas vendas online e viu suas ações caírem cerca de 6% no after-market. Os movimentos fora do horário indicavam uma abertura fraca dos futuros do Nasdaq na Ásia.

O mercado parou de avaliar com condescendência

Por muito tempo, anunciar gastos enormes com IA era quase um produto em si. Sinalizava ambição. Nesta semana, essa lógica se inverteu. Kathleen Brooks, analista da XTB, foi direta: o problema é "o custo do retorno", e ela classificou dois trimestres de fluxo de caixa negativo no Google como "inaceitáveis para os investidores".

Acreditamos que essa é a leitura certa. A questão não é que a IA seja modismo. A divisão de nuvem da Amazon acelerou pelo sexto trimestre seguido, e Michael O'Rourke, da JonesTrading, observou que a Alphabet ficou abaixo das projeções em praticamente todas as métricas importantes, exceto a receita de nuvem. A questão é o momento. O capex é pago adiantado, em dinheiro e cada vez mais com dívida, enquanto a receita chega depois e, pior para a Alphabet, pode canibalizar o negócio que financia todo o resto.

O problema da Alphabet é diferente do da Amazon

Colocar as duas no mesmo saco é tentador, mas preguiçoso. A Amazon está gastando muito em uma nuvem que cresce de forma visível, e seu tropeço tem a ver em parte com um consumidor fraco. A Alphabet enfrenta a possibilidade incômoda de que a IA esteja corroendo seu negócio central, a publicidade em buscas, enquanto ela gasta para construir justamente o que a corrói. A LBC informa que a desaceleração das buscas aumentou o temor de que modelos de IA alternativos estejam "cada vez mais" tomando espaço do domínio do Google em buscas. Isso é uma interpretação, não um fato comprovado, mas o mercado claramente a precificou.

É por isso que vemos a Alphabet como a mais exposta das duas. A Amazon precisa justificar o gasto. A Alphabet precisa justificar o gasto e defender seu negócio principal ao mesmo tempo.

A Microsoft é o modelo, e isso deveria preocupar as demais

O contraste é a Microsoft. Ela informou alta de 48% na receita de nuvem mantendo o capex sob controle, e suas ações mal se mexeram. Ainda assim, também lançou uma emissão de títulos de US$ 25 bilhões que, segundo o investinglive, faz parte de uma mudança mais ampla: gigantes antes pouco endividados se tornando grandes tomadores de crédito. A Microsoft é a única do grupo que não queimou caixa no trimestre de setembro, de acordo com o mesmo relatório.

Os elos mais fracos, a nosso ver, não são os gigantes. São as empresas de nuvem de IA alavancadas. CoreWeave, Nebius e Iren caíram cerca de 6% a 7% no after-market, e a questão do financiamento pode pesar mais do que qualquer resultado abaixo do esperado. Se o crédito apertar, os gigantes provavelmente conseguirão absorver. Os tomadores menores, com grandes carteiras de pedidos, talvez não.

Não leia isso como o fim da IA

Um pouco de perspectiva ajuda. As ações de fora do setor de tecnologia subiram de forma geral, e o S&P 500 Equal Weight Index avançou 1,2%. Ross Mayfield, analista do Baird, disse que a leitura do mercado sobre rachaduras na IA não significa rachaduras em todos os cantos do mercado. Parece uma reprecificação de quem merece um prêmio, não um pânico com a economia inteira.

Nosso veredito: a paciência não é infinita, mas também não acabou. Os investidores provavelmente continuarão financiando a IA das empresas que conseguirem mostrar, no mesmo trimestre, crescimento da nuvem, capex controlado e fluxo de caixa positivo. A Microsoft faz isso hoje. A Amazon está mais longe dessa meta do que o crescimento de sua nuvem sugere, com saída de caixa livre de US$ 42,4 bilhões nos últimos 12 meses. A Alphabet tem mais a provar e, provavelmente, menos tempo para isso. Se você é investidor, a lição tem menos a ver com fugir da IA e mais com fazer uma pergunta sem graça em cada teleconferência de resultados: de onde vai voltar o dinheiro?

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