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Redação Teknosfera
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RAM soldada é uma aposta ruim, e os fabricantes deveriam parar de empurrá-la

Soldar a memória transforma um upgrade barato em um palpite sobre suas necessidades futuras, e com preços tão altos, esse palpite fica por conta do comprador, não do fabricante.

Publicado
26 de outubro de 2026
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Imagem gerada por IA

Lembra quando a maneira esperta de comprar um notebook era pegar a configuração com pouca RAM e colocar pentes depois? Esse truque está morrendo, e no pior momento possível: justamente quando os preços da memória estão nas alturas.

Memória soldada não é novidade, mas está se espalhando. Como observa o XDA Developers, ela saiu dos notebooks finos e chegou a mini PCs e all-in-ones, e os desktops podem ser os próximos. O mesmo texto descreve um mercado de memória sob pressão pela demanda dos data centers, pelo maior gasto em wafers para HBM e pela saída da Micron do mercado de memória para o consumidor.

Nossa visão é simples: o argumento de engenharia a favor da solda é real, mas o argumento comercial é desequilibrado, e quem paga por ele são os compradores.

O argumento de engenharia é real, mas não vale para todos

Precisamos ser justos. A LPDDR opera com tensões mais baixas, então precisa ficar perto do processador para manter o sinal limpo, e soldar facilita isso. Monica J. White, do How-To Geek, argumenta que isso libera espaço em notebooks de 13 e 14 polegadas para uma bateria maior ou melhor refrigeração. Em máquinas com GPU integrada de barramento largo e voltadas a IA, como o Framework Desktop com a APU "Strix Halo" da AMD, a largura de banda pode mesmo depender de LPDDR soldada, segundo o XDA.

É um compromisso genuíno para uma caixa compacta e sem ventoinha. Mas é um compromisso desses projetos, não uma desculpa geral. Suspeitamos que muitas máquinas tenham memória soldada simplesmente porque isso virou o padrão.

A solda transfere o risco do fabricante para você

Esta é a parte mais difícil de defender. Quando a RAM não pode ser trocada, é preciso escolher a capacidade no primeiro dia. A crítica da PCWorld resume bem o dilema: comprar pouco e torcer, ou comprar demais por segurança. Talvez você passe a editar vídeo, ou queira experimentar IA no ano que vem. Com RAM soldada, você precisa prever o próprio futuro, e o preço de errar é um computador novo.

O XDA é direto sobre quem se beneficia. Travar a configuração na compra garante, na venda inicial, a receita de configurações com mais RAM e mais margem, e numa crise de RAM isso permite que as fabricantes (OEMs) extraiam dinheiro que, de outro modo, perderiam para um comprador que colocasse pentes depois. A solda também reduz a lista de materiais. O XDA diz que a economia por unidade pode não ser grande, mas, multiplicada por milhões de unidades, ajuda as margens das OEMs. Não contaríamos com essa economia aparecendo no seu preço.

Até os defensores admitem. O How-To Geek diz que a configuração de RAM escolhida na compra fica com você e que consertar um módulo soldado com defeito significa trocar a placa-mãe inteira. Também observa que o custo extra de um upgrade de RAM já não dói como antes, porque, com os preços nas alturas, comprar pentes custa quase o mesmo de qualquer forma. Na nossa opinião, isso é um argumento contra o mercado, não a favor da solda. Preços altíssimos tornam a flexibilidade mais valiosa, não menos. Poder comprar uma configuração menor agora e esperar os preços caírem é exatamente a opção que a solda elimina.

A indústria já tem uma resposta melhor

A boa notícia é que os fabricantes parecem saber disso. Segundo a Wikipédia, o CAMM2 é um formato de módulo padronizado pela JEDEC para DDR5 e LPDDR5(X). Uma análise detalhada da comunidade Framework sobre o Framework Laptop 13 Pro diz que o projeto LPCAMM2 usa os mesmos chips LPDDR5x que, de outro modo, seriam soldados à placa principal, apenas movidos para um módulo separado. O How-To Geek descreveu o LPCAMM2 como a combinação do melhor da RAM soldada e da atualizável.

Isso enfraquece a ideia de que é preciso escolher entre hardware fino, rápido e eficiente e memória substituível. Pela documentação, não dá para dizer como ele se compara em custo ou espessura em escala, e um módulo ainda é mais hardware do que um chip na placa. Mas o fato de um fabricante ter construído um notebook em torno dele sugere que a velha desculpa está se desgastando.

Nosso veredicto

Se você vai comprar agora, trate a memória soldada como um custo a ser embutido no preço. Verifique antes seu uso real (o How-To Geek sugere o Gerenciador de Tarefas) e, se escolher uma máquina com memória soldada, compre a capacidade que plausivelmente vai precisar, já que não há como corrigir depois. Onde houver uma alternativa com slot ou módulo LPCAMM2, nós a preferiríamos, principalmente se você fica anos com o mesmo notebook.

Para os fabricantes, a mensagem é mais direta. A solda fazia sentido quando trazia finura ou largura de banda de verdade. Usá-la para travar margens enquanto a memória está escassa é uma aposta feita com o dinheiro do cliente. Ofereçam memória modular sempre que o projeto permitir e expliquem com honestidade onde não for possível.

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